Selo da Frente Progressista do SambaFrente Progressista
do Samba
Carta às sambistas e aos sambistas de São Paulo

O samba não se cala

Dia 18 de outubro, a gente marcha. Dia 25, a gente vota. Leia a carta, assine e passe adiante.

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Do Largo da Banana, marco zero do samba de São Paulo, a gente manda este recado. Vale pra velha guarda e pra ala das crianças, pra baiana e pro ritmista, pra costureira, pro aderecista, pra harmonia e pra quem só aparece no ensaio de sexta.

O samba é roda. Na roda ninguém fica de fora e ninguém fica acima de ninguém. Ela gira pro passado pra segurar o presente, como na capoeira, no jongo, no terreiro, no giro do mestre-sala e da porta-bandeira e na saia da baiana.

O samba cresceu protegido pelos terreiros. Por isso, toda escola tem compromisso com a herança dos baluartes e dos cardeais do samba, que ensinaram a honrar quem pisou antes nesse chão.

E esse chão tem história. Em 1967, os sambistas antigos se juntaram e arrancaram da Prefeitura a oficialização do carnaval. Ninguém deu de presente.

Mesmo oficializado, o samba seguiu perseguido. Em 1974, a polícia invadiu a quadra da Unidos do Peruche e levou Seu Carlão preso. O Bixiga chorou a morte de Pato N'Água, o apito do Vai-Vai, e Geraldo Filme pediu silêncio por ele em samba.

Por muito tempo, quiseram controlar a festa negra: dizer onde, quando e como o povo preto podia sambar. Essa história quase foi apagada. Quem viveu precisa contar, e quem chegou agora precisa conhecer.

A velha guarda e as baianas ensinaram: quem segura a escola de pé não é o dono da festa, é a comunidade. Ninguém desfila sozinho. Democracia é isso: escolher quem manda, discordar sem apanhar, ocupar a rua sem pedir licença.

A gente lembra do que passou. Da pandemia, dos amigos que foram embora, da vacina que demorou, do ano em que não teve carnaval. E lembra de 2022, quando o samba voltou pra avenida e o povo foi pra urna defender a democracia.

Samba guarda memória. O povo não pode ter memória fraca.

A gente entende quem está cansado de política. Quem esperava mais do governo, quem acha que é tudo igual, quem não foi votar no dia 4.

Mas cansar da discussão é uma coisa. Deixar de se importar com o que sustenta a vida é outra. Aposentadoria, remédio no posto, salário, folga, comida na mesa e liberdade de fé dependem de quem governa.

E não é tudo igual.

Um ex-presidente foi condenado pelo Supremo por tentar dar golpe de Estado. Agora o filho dele quer a mesma cadeira e defende perdão pra quem tentou o golpe. Você não precisa gostar de tudo no governo pra saber o que não quer de volta.

No primeiro turno, a diferença entre os dois foi de pouco mais de 2 milhões de votos. Pra quem é do samba, isso é décimo de apuração. Título se perde num décimo. Eleição também.

Por isso, nós, que assinamos esta carta, afirmamos:

  • Samba é cultura, é trabalho, é sustento. Não é caso de polícia.
  • Dinheiro pra cultura não é favor. É direito de quem faz e de quem assiste.
  • Terreiro é chão sagrado do samba. Liberdade de fé pra todo mundo e Estado laico não se negociam.
  • Quem trabalha a vida inteira tem direito a envelhecer com dignidade e a ter tempo pra viver enquanto trabalha.
  • Golpe não se perdoa. Quem tenta rasgar o voto do povo responde por isso.
  • Eleição se respeita. Ganhou na urna, governa. Perdeu, aceita.
  • O povo preto, a periferia e as mulheres do samba não voltam pro fundo da avenida.

Dia 18 de outubro, a gente marcha. Dia 25, a gente vota. Vote como quem vai pra avenida: com a escola inteira. Leve a mãe, a tia, o vizinho, a ala toda, e combine a carona como quem combina o ônibus do desfile.

Os cardeais do samba não pediram licença pra botar o carnaval na rua. A gente também não vai pedir licença pra defender a democracia.

Democracia já. Democracia sempre. O samba não se cala!

São Paulo, outubro de 2026.

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03 — Imprensa

Release para a imprensa

Para divulgação imediata · outubro de 2026

Frente Progressista do Samba convoca marcha em São Paulo para apoio ao Lula e divulga carta em defesa da democracia

Com adesão de sambistas e escolas de samba de diferentes regiões do país, movimento já reúne mais de 2 mil pessoas em grupos de WhatsApp. Ato será realizado no domingo, 18 de outubro, às 17h, com concentração no histórico Largo da Banana, na Barra Funda.

São Paulo – A Frente Progressista do Samba divulgou uma carta aberta às sambistas e aos sambistas de São Paulo e anunciou a realização da Marcha do Samba pela Democracia, marcada para domingo, 18 de outubro, às 17h, na capital paulista. A mobilização reúne integrantes de escolas de samba, artistas, dirigentes e representantes da cultura popular de diferentes regiões do Brasil em apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.

A articulação nacional já conta com mais de 2 mil pessoas mobilizadas em grupos de WhatsApp, organizados para ampliar a participação no movimento e fortalecer a convocação para o ato público.

A concentração será no Largo da Banana, na Barra Funda, considerado um marco histórico do samba paulistano e território de sociabilidade e resistência da população negra. De lá, os participantes seguirão em cortejo até a Rua do Samba, onde será realizado o ato público.

A escolha do local resgata a memória dos trabalhadores negros, músicos e sambistas que, nas primeiras décadas do século XX, transformaram a região em um dos principais berços do samba de São Paulo.

A carta divulgada pela Frente recupera episódios históricos de resistência, como a luta pela oficialização do carnaval paulistano, em 1967, e a repressão policial sofrida pelas agremiações carnavalescas durante a ditadura militar. O documento também destaca a contribuição dos terreiros, das velhas guardas e das mulheres negras para a formação e preservação das tradições do samba.

Entre as pautas defendidas pelo movimento estão a valorização dos trabalhadores da cultura, o financiamento público das manifestações populares, a liberdade religiosa, o combate ao racismo e a preservação dos direitos sociais e das instituições democráticas.

A manifestação está prevista para ocorrer uma semana antes da votação de 25 de outubro. A Frente pretende ampliar o engajamento político das comunidades do samba e reafirmar o papel histórico dessas organizações na defesa da democracia brasileira.

O documento será lido publicamente durante a marcha e terá palavras de ordem como: "Democracia já. Democracia sempre. O samba não se cala!"

Serviço

  • Marcha do Samba pela Democracia
  • Data: domingo, 18 de outubro de 2026
  • Horário: 17h
  • Concentração: Largo da Banana, Barra Funda, São Paulo
  • Percurso: cortejo até a Rua do Samba, na Barra Funda
  • Realização: Frente Progressista do Samba
  • Participação: sambistas, escolas de samba, artistas e representantes da cultura popular de diferentes regiões do país
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